sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

PAREDES DE TERRA BATIDA - Taipa de Pilão

Conhecemos a Taipa de Pilão, coloca-se duas madeira devidamente escotadas, põe-se terra. e apiloa-se. Pronto! Uma parede com taipa de pilão. Mas são é só isso, hoje em dia talvez seja uma boa opção para arquitetura sustentável, promove conforto térmico, ainda mais nos calores do momento, promove conforto acústico, é auto-portante, e se empregado com técnica e alguns agregados, podemos tê-la com a mesma duração da alvenaria convencional, se não mais.
Mas isso se usou muito no tempo do Brasil colônia, será que ainda presta aos dias de hoje? Quem vai querer uma casa "estilo bandeirante"? É... é possível que alguém ainda queira, mas nossos clientes são exigentes hoje, e ainda devemos pensar na valorização constante do investimento que estão fazendo. mas será que não é possível aliar essa técnica com arquitetura moderna ou atual?

Vejamos. Temos alguns expoentes da "modernidade" que estão usando a taipa de pilão de forma louvável, será que não pode mos fazer o mesmo por aqui, incentivando as populações de baixa renda e mesmo ensinando-as a praticar esse tipo de construção, com projetos estéticos e arquitetônicos, mas mantendo um "pé no passado"?

"Andando" pela net achamos o site da CRIA ARQUITETURA, onde eles postaram uma parede feita nesse método, é essa ai ao lado. no blog temos mais fotos e mais detalhes construtívos e podemos mesmo ver as arquitetas trabalhando....na obra. O resultado, inquestionavelmente ficou bonito, com apelo estético muito bom, mostrando inclusive que não precisamos fazer paredes "retonas" essa ai é inclinada, como vimos acima, é executada através de formas, e essas formas, nesse caso, deixaram suas marcas com os "furinhos" visíveis na parede. No caso eles usaram um preparado misto de terra peneirada, cimento e areia, sendo talvez essa a melhor opção no momento em função do custo.

Mas o que me trouxe a falar do tema mesmo foi um notícia que recebi de um amigo no EUA onde esse viu essa casa de taipa e questionou-se se esse não era um método "brasileiro" de construção.

Bem, na verdade não é não, ou melhor, somos apenas mais um que se usam dele, uma vez que temos espalhados pelo mundo diversas construções antigas que empregam esse método, quem nos apresentou ele foram os portugueses, que trouxeram a técnica, provavelmente, das colônias africanas, de qualquer modo o fato é que também usamos e desenvolvemos por aqui métodos diferentes como o pau-a-pique.

Bem essa casa me chamou a atenção e junto com a foto que me enviaram, pesquisei e achei outras, que mostram bem o quanto inovação, sustentabilidade. técnicas antigas e integradas com o meio ambiente não precisam estar alheias ao projeto bem desenvolvido, à execução primorosa e, consequentemente, à valorização de todo conjunto arquitetônico.




MADEIRAS CERTIFICADAS

Finalmente a demanda e uso de madeira certificada começa a aparecer de forma mais expressiva, esperamos que se repita mais e mais. Certos profissionais ainda relutam, em função do custo um pouco mais elevado, mas com o tempo será inevitável a utilização de madeira certificada e mesmo de re-uso. E não é somente para acabamento, embora hoje seja o local onde mais aparece, precisamos nos concientizar da importancia mesmo da utilização de madeira e demais materiais certificados em todas etapas da obra, consciência é algo que se busca e cultua, não aparece pronta.
Se os arquitetos e engenheiros ditos de renome, apostassem mais nesses recursos, todos seríamos beneficiados pois, de uma ou de outra forma, a mídia daria mais ênfase e os prórpios clientes acabariam por impor certos padrões sustentáveis em seus projetos.

Sabemos da dificuldade, num país como o nosso, continental, de apostar e mesmo "ir fundo" nesse conceito, só vemos alguém interessado quando a mídia ressalta, ou quando a propaganda gerado é maior que o custo, ssabemos também da discrepância que existe entre pensar, acreditar e fazer, mas é aquela velha história, se cada um faz sua parte, o todo ganha.

O governo incentiva, cobra, mas não impõe restrições aos fornecedores para que se adequem ao tema, o privado, só quer saber "quanto custa" e acaba desistindo, pois o custo inicial é alto, mas foi assim também com o aquecimento solar, demorou até percebessem, e não todos ainda, que o custo-benefício se faz sentir no bolso também.

Finalmente, algumaas prefeitura, a exemplo da de Itatiba, interior de São Paulo, estão obrigando os projetos, quando da solicitação de habite-se, apresentarem documentação comprobatória de uso de madeira certificada, mas muitos fornecedores fraudam, e os profissionais, bem, esses preferem fazer vistas grossas desde que resolva o "problema".
É pena que na nossa categoria ainda existam pessoas assim.

Idéias como as placas de OSB, onde se aproveitam laascas de madeira, reduzem o impacto, mas muitos acham "feio" aquele tapume verde.
Mas o que é mais "feio" ele ou aquele outro, depois de um tempo? ou mesmo é mais "feio" o uso dele ou do outro que usa madeira normal?

A Universidade São Francisco, campus Itatiba, onde existe o curso de Engenharia Civil, foi laureada com o prêmio ODEBRECHT de projeto sustentável, em suas atividades egtr-curriculares, os alunos incentivaram os "catadores" da cidade a pegarem entulho descartada de obra e fizeram uma fábrica de blocos com eles, vendendo e tornando o projeto viável, o prêmio, parte em dinheiro, ajudou a comprar novos maquinários e o projeto continua.

Sustentabilidade se consegue dia-a-dia, como já disse de outra vez, vai desde não jogar fora o lixo nas estradas, até mesmo a estipular, exaustivamente, materiais e inovações que façam a diferença. Esse o desafio dos novos arquitetos e arquitetas, nas certeza que eles, mais que nós, podem influir de forma significativa num mundo novo.

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